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Qua, 06 de Outubro de 2010 15:44

Foi-se o tempo em que um PC tomava toda a mesa de trabalho e servia de aquecedor de ambiente. Os recentes avanços dos microprocessadores, que agora consomem menos energia e esquentam menos, e as grandes apostas no formato Mini-ITX deixam claro que os computadores do futuro serão mais eficientes, menores e muito menos desajeitados.

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Os computadores são poderosos, versáteis e extremamente úteis, facilitando a vida de todos nós, exceto quando temos que decidir onde vamos colocar aquele gabinete enorme.

Que levante a mão quem nunca enfrentou o seguinte dilema: colocar o gabinete em cima da mesa ou escondê-lo debaixo dela? Em cima da mesa ele fica convenientemente ao alcance das mãos, porém inconvenientemente ocupando boa parte do precioso espaço de trabalho. Debaixo da mesa, além de se tornar alvo de chutes involuntários (nem sempre tão involuntários assim) ainda torna extremamente difícil a simples tarefa de conectar um pendrive ou um fone de ouvido. Tudo isso graças ao enorme gabinete Full ATX no qual o computador veio montado.
Mas será que é mesmo necessário um gabinete tão grande? Se pensarmos por um segundo, concluiremos que o gabinete grande “já veio” com o computador e sempre aceitamos como natural que ele fosse assim, enorme, mas não há nenhum motivo real para tal.

 

Poucos componentes

Quase todos os computadores vendidos hoje são baseados em placas-mãe com os principais subsistemas já integrados: vídeo, som, rede (às vezes até modem). É possível ter um computador inteiro com uma placa só, a placa-mãe, que fica lá sozinha com todos os seus slots de expansão desocupados (veja na figura 1).

Muitos dos PCs atuais são assim.
F1: Muitos dos PCs atuais são assim.

Isto ocorre porque os dispositivos de vídeo, som e rede integrados (conhecidos como on-board) já oferecem recursos e performance suficientes para executar todas as operações cotidianas de um computador. À exceção dos amantes dos jogos eletrônicos, com suas poderosas placas de vídeo e áudio, e da rara necessidade de utilizar uma segunda interface de rede, quase não há motivos para aumentar os recursos de um computador com placas de expansão. Pelo menos para a maior parte dos usuários, que obviamente representam a maior parte do mercado.
O mesmo pode-se dizer sobre os discos rígidos e leitores ópticos. Quantos usuários precisam de um segundo disco rígido? E um segundo DVD-RW? É claro que para alguns de nós, normalmente profissionais com necessidades específicas, há bons motivos para ter periféricos extras, mas para a grande maioria, um disco rígido e um leitor óptico são mais do que suficientes. Aliás não seria surpresa se a maioria preferisse ter um HD externo USB 2.0 a ter um segundo HD interno, dada a praticidade adicionada.
Então, no final das contas, um computador composto por uma placa-mãe, um HD, um CD e uma fonte necessita mesmo de um gabinete Full-ATX com seis baias de 3 ½” e mais quatro de 5 ¼” ?


Conheça o padrão Mini-ITX

Todos conhecem o padrão ATX (Advanced Technology Extended), criado pela Intel em 1995, que dita layout, formas, tamanhos e elementos de fixação e conexão de gabinetes, fontes e placas-mãe.
De lá para cá, vários outros formatos foram criados, cada um com seu propósito específico. Boa parte deles “herdou” características do ATX, principalmente o conjunto traseiro de conectores, inclusive utilizando o mesmo espelho de E/S (ou I/O em inglês). Um exemplo conhecido é o microATX, muito semelhante ao ATX porém menor. Falando especificamente do mercado brasileiro, o microATX domina as vendas, por ser um formato mais barato e normalmente utilizado por placas mais simples, que vendem mais.
O Mini-ITX foi lançado em 2001 pela Via Technologies, conhecida fabricante de chipsets para Intel e AMD. A intenção da Via era criar uma plataforma para fomentar a adoção do seu novo C3, um processador de baixo consumo, voltado para aplicações leves. Seu padrão Mini-ITX aproveita muitas características do ATX, como o painel de conectores de I/O, a furação do gabinete e também suporta o mesmo tipo de fonte. Na prática o Mini-ITX é totalmente retro-compatível, ou seja, uma placa neste formato pode ser usada em qualquer aplicação ATX sem necessitar de modificações.
A característica mais interessante deste padrão é o seu tamanho: apenas 17 cm x 17 cm. Estas dimensões reduzidas (figura 2) permitem a instalação deste tipo de sistema em locais em que computadores de maior porte não seriam convenientes ou até mesmo possíveis. Assim, muitos terminais leves, vending-machines (máquinas  de venda automática, como as de refrigerantes) e pontos de atendimento ao cliente foram implementados usando este padrão.

Placa-mãe no formato Mini-ITX
F2: Placa-mãe no formato Mini-ITX


Por que não deu certo?

Não se pode dizer que o Mini-ITX não deu certo, pois ele ainda é um formato viável. Mas, podemos dizer que ele não obteve o sucesso que merecia.
Alguns fabricantes adotaram este padrão, mas infelizmente estes produtos não chegaram ao mercado nacional, graças a um misto de falta de visão dos importadores e mau direcionamento do consumidor, que até hoje insiste em adquirir um equipamento mais potente do que ele tem capacidade de usar.
Qualquer especialista em informática sabe que a maioria dos usuários tem a tendência a “superdimensionar” um computador, mesmo que ele seja usado apenas para acessar o MSN e o Orkut. É um fenômeno que vai contra a razão e o bom senso, mas num país onde pessoas compram sedãs com motores 2.0 e enormes SUVs para andar nos congestionados centros urbanos, não é de se surpreender que os computadores também sejam mal pensados.
Lojistas e importadores, como bem sabemos, limitam-se a atender a demanda do momento. E neste caso, não houve demanda.


Por que agora dará ?

De forma geral, o mercado amadureceu bastante nos últimos anos e passou a observar números diferentes.
Hoje os consultores de TI e os administradores estão mais preocupados com o TCO (Total Cost of Ownership), ou seja, o “custo total de propriedade” de um produto. O custo total de propriedade de determinado item leva em consideração não apenas seu preço, mas também os custos de operação e manutenção.
Exceto por algumas exceções, sistemas baseados em Mini-ITX especializam-se em baixo consumo energético e baixo custo. Ainda que um sistema destes custe o mesmo que um desktop tradicional, seu consumo elétrico menor resulta em um gasto com energia também menor, ou seja, seu TCO é menor. Ao longo dos anos isto faz diferença, especialmente para empresas e escolas com dezenas de computadores.
Além disso, temos o fator “tamanho”. Até alguns anos atrás havia poucos computadores nas empresas, escolas e residências, pois eles eram caros e a vida não era tão digitalizada. Hoje cada mesa de trabalho tem seu próprio computador, e nas escolas não se formam mais duplas para usar um PC, cada aluno tem um para si. Nas residências acontece o mesmo, cada jovem quer ter seu próprio computador ao invés de dividir um com a família.
E, por fim, há o fator “performance”. Chegamos a um ponto em que o hardware, mesmo o mais simples e econômico, realmente dá conta de todas as tarefas que um usuário normal precisa. Até a Microsoft, que se esforçou para empurrar o ineficiente Vista aos consumidores, está reconhecendo que o caminho não é este e tratou de deixar seu novo Windows Seven mais leve e eficiente, com perspectivas de adoção muito melhores.


Conclusão

O panorama mundial mudou como um todo, e isto se refletirá no mercado de computadores.
Na situação atual, nem sempre potência e tamanho maiores são interessantes. Os novos sistemas, mais econômicos, eficientes e menores, prometem tornar a computação cotidiana menos incômoda e certamente mais econômica do ponto de vista do consumo elétrico.
Ainda vamos precisar de workstations, desktops de alta performance, máquinas para multimídia e servidores. Ainda haverá mercado para modelos maiores, eles não vão desaparecer, porém seu volume de vendas diminuirá.
O Mini-ITX é um formato interessante e comercialmente viável. Ganha nova vida com a plataforma Intel Atom, e os maiores beneficiados somos nós, que poderemos contar com equipamentos mais práticos e econômicos.

Última atualização em Qua, 13 de Outubro de 2010 15:55